Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Nada além de amiga, entende? Amiga? Sei que andei falando coisas sem pensar. Me esforcei pra deixar quieto, ficar de boca calada, não fazer merda. Quase deu certo. Você sabe, sou meio blá. Olha, sei que andei falhando todas essas vezes, nos últimos meses. Em minha defesa, não era bem eu. Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você. Como eu poderia adivinhar que alguém como você gostaria de mim, assim desse jeito atrapalhado que eu sou? Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.
Gabito Nunes. 
Eu só queria que você lutasse por mim, o tanto que lutei por você todo esse tempo.
Tickets of Cassie.
A vida tornou ela uma pessoa fria
E o brilho do seu sorriso já não é o mesmo.
Lucas Reis.
Ando me distanciando e nem sei ao certo o que acontece. Já não sinto vontade de falar com muita gente. O bom é que muitos não percebem, assim eu não preciso perder tempo tentando explicar as razões pelas quais venho querendo fugir. Essas coisas são muito cansativas. Aliás, a maioria das coisas que envolvem pessoas são cansativas.
Sean Wilhelm.   
Me desculpa a caretice, mas eu sou do tempo que o ‘eu te amo’ precisava ser verdadeiro para ser dito.
Tickets of Cassie.
Era tanto caos,
Que a poeira sufocava sua fé.
Inrotulado.
É bom te ver sorrir.
Los hermanos. 
Às vezes o fim é necessário para que possamos enxergar os meios.
Deprimentes.
Queira eu ou não, tudo seu me afeta demais. Um “oi” mal dado, um sorriso falso, um comentário fora de hora, uma crítica maldosa, uma mensagem atrasada. Acredito que esse seja meu pior defeito, não consigo ignorar essas pequenas coisas ou o que elas me causam, estou tentando dizer que, se você falar algo que me machuca, não vou comentar, sou do tipo que guarda pra si e chora à noite quando ninguém mais percebe, quando todos estão dormindo. Tudo me atinge e eu não consigo intervir nisso, mesmo tentando não parecer chata nessa espécie de quase vida, onde eu quase falo, quase vou, quase sinto, quase amo, vivo nesses quases. E toda essa importância que eu dou para as suas palavras, para as suas atitudes é o que acaba comigo, porquê eu sempre faço tudo que está no meu alcance para te agradar e em troca só levo desvantagens, só recebo a pouca importância que você dá à tudo que eu faço e fiz por você, parece que tudo tende a dar errado quando eu me importo. Tudo tem sempre de dar errado quando você não me dá a importância que eu mereço. Tudo tem sempre de dar errado quando eu te amo e não sei deixar de te amar.
Tickets of Cassie.  
Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? Me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? Eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, ideias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.
Caio Fernando Abreu. 
— Posso dormir com você?
— Só hoje?
— Pode ser, mas garanto que vai querer amanhã. E de novo. E de novo. E de novo.
Maré.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos. Tudo bem… O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum, é amar mais ou menos, é sonhar mais ou menos, é ser amigo mais ou menos, é namorar mais ou menos, é ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.
Chico Xavier.  
Cada lágrima que derramo por você é uma parte sua dentro de mim indo embora.
Tickets of Cassie. 
Olhei para trás e nada vi. Ele tinha partido e levado consigo todos os rastros de felicidade.
Tickets of Cassie.