What matters in life is not what happens to you but what you remember and how you remember it.
Gabriel Garcí­a Márquez.
Um choque. Um medo. Um trauma: a realidade. Eu mal acreditava no que via, era ele, com outra, que não era eu. Fiquei fria, gelada, deixei cair no chão o celular que estava em minhas mãos. Uma dor imensa me rodeava. Me sentei sofá e comecei a chorar incontrolavelmente. Peguei o celular e coloquei uma das mais melodramáticas músicas que encontrei, uma que dizia: I don’t wanna talk about it and I don’t wanna a conversation, I just wanna cry in front of you, I don’t wanna talk about it, cause I’m in love with you. Porque era essa toda a minha vontade de te dizer naquele momento. Levantei e fui para o meu quarto, para o escuro, debaixo do lençol, levando comigo a morte de mim mesma.
Tickets of Cassie.
É tão ridículo assim alguém se apaixonar? Olha, baseado nos sintomas tradicionais que andei desenvolvendo nas últimas semanas, eu não usaria exatamente a palavra “ridículo”, a não ser que você ache todos os hospitalizados uns patéticos fingidos. Mas quando as coisas não rolam, quando não há qualquer sinal de correspondência, a sensação é mais ou menos um saco, como um resfriado mal curado. Você não consegue ir a lugar algum sem espirrar sua doença na cara dos outros. Não há antibióticos contra a paixão.
Gabito Nunes.
Estou saindo de viagem,
junte todas as flores sobre o altar.
Eu vou viajar em um balão de hélio
flutuar leve sobre o teu corpo adormecido
enterrar os ossos e saborear a carne
despedindo-me em plena sinfonia de Bach
ser feliz depois da chuva fina,
da poesia,
da utopia,
esquecer da hora, do trabalho, da saudade,
do meu vicio em te olhar.
Estou saindo de viagem
não sei se volto ou te mando um postal.
Elisa Bartlett.
Eu beirava meus 18 anos quando foi afogada. Não em águas, em lágrimas.
Tickets of Cassie.
Mindy apertou seu corpo contra o meu e me beijou. Foi um longo beijo. Meu pau subiu. Eu andava tomando um montão de vitamina E nos últimos tempos. Eu tinha ideias próprias sobre sexo. Era um tarado obcecado e me masturbava todo o tempo. Eu transava com Lydia, depois voltava pra casa de manhã e me masturbava. A ideia de sexo como algo proibido me excitava pra além de qualquer entendimento. Sexo era um animal tentando se impor ao outro. Nas punhetas, eu sentia que gozava na cara de todas as coisas decentes, branco esperma pingando sobre as cabeças e almas dos meus pais mortos. Se eu tivesse nascido mulher seria com certeza uma prostituta. Mas, como nasci homem, batalhava as mulheres, sem trégua; quanto mais fuleiras melhor. E, no entanto, as mulheres, as boas, me enchiam de medo, talvez por quererem a minha alma; e o resto que sobrara da minha eu queria manter guardado. Em princípio, eu batalhava mulheres fuleiras e prostitutas, porque eram mais intensas e mais barras-pesadas, e elas não faziam exigências pessoais. Nada se perdia quando elas partiam. Porém, ao mesmo tempo, eu tinha inclinação por mulheres decentes, as boas mulheres, a despeito do preço elevado que se tinha de pagar. De um jeito ou de outro, eu estava perdido. Um cara forte desistiria de ambas. Eu não era um cara forte. Então, continuava o combate com as mulheres, com a ideia de mulher.
Charles Bukowski.
Volta pra mim com os cortes na boca e a falta de fôlego porque sim, eu te aceito. E eu reparo teus danos e te refaço pro mundo, para que você voe novamente, e parta sem mim. Porque dentro do amor eu percebi que não há nada nosso, nem as noites em que cantamos a tristeza e reverberamos a solidão, nem o vulto da eternidade no teu pé errante. Não há nada que eu posso dizer que tive nos momentos onde a intensidade disse os verbos e nós proferimos o infinito. Volta pra mim, não, não volte pra mim, erre o caminho que os descaminhos são paralelos. Volta, não, não volta. Volta, que os eixos nas suas costas me dizem sobre o amor que gangrenamos nas mãos quando o sorriso não preencheu. E eu canto o que Drummond diz: se mil vezes você me deixar e voltar, eu aceito. E eu faço dos versos nosso colete anti-monotonia e te abraço pra nunca mais existir. Porque o belo não existe, além do brilho que há no invisível, através da retina do olho esverdeado que você tem. Volta pra mim que os dias têm esmagado meus punhos, e eu tenho visto miúdo o que se vê brando e claro; não abro minhas mãos aos céus e sorrio há semanas e os raios do céu mudaram o curso: meus lábios pararam no tempo. Volta antes do dilúvio bíblico, antes da terceira guerra mundial iminente, antes que outro meteoro caia e desta vez aqui, aqui. Volta antes que eu agonize sua lembrança e refaça sua imagem turva e deturpada, antes da aurora-boreal encandecer o céu da Noruega, antes que eu e o suicídio conversemos sobre como andam os planos pro meu futuro. Antes do terremoto afligir meus dedos, antes da queda d’água explodir as estrelas mortas por nós que dissemos superficialidades. Não, não volta agora, estou desbotando todo destino. Canta pra mim, canta chico, e não volte enquanto o teu brilho não satisfazer meus dramas renegados. Eu te amo, mon amour, como um mantra que eu não soube pronunciar. “Se mil vezes você ir e voltar, eu te aceito… eu te aceito.”.
Floresinexatas.
E que venham amores,
as dores,
as cores,
tremores,
desejos,
solfejos,
a gente
contente,
espaço
no abraço,
só eu e você.
Tickets of Cassie.
.

Somos todos
um bando de viciados,
enquanto o mundo
não para nunca,
acelera
e nos engole.

Viciados
nas imagens cinematográficas
no noticiário da Folha de domingo
no rebolado de Cecília na avenida
na bebida, no Malboro, na escrita,
no sorriso escancarado de Joel
no espetáculo tragicômico da vida
no amor
na ferida
nas flores que despistam a morte
na despedida.

Somos todos
um bando de viciados
enquanto o caos
não para nunca,
acelera
e nos engole por dentro.

E depois do estrago o suicídio abre as gavetas
e escrevemos todas as magoas, as metades, as perdas
escancaramos nossas almas sem sinal nem cortinas
iniciamos o espetáculo da utopia desvanecida
porque chorar se torna medíocre
porque as mãos estão suadas e escorregadias
porque você não se cansa de ir embora
porque a visão não permite mais o foco

e a realidade escapole e afoga
e o amor alucina e ressuscita a única saída,
a poesia.

Somos um bando de poetas enlouquecidos.

Elisa Bartlett.
— E teu amor, Cassie? Por onde anda?
— Terminamos…
— Jura!? Quem acabou?
— Ele acabou. Eu só estou acabada.
Tickets of Cassie.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
Martha Medeiros.
Mesmo querendo negar, disfarçar, não tem como esconder. Eu sou e sempre serei sua. Taí uma coisa que ninguém nunca irá conseguir mudar.
Tickets of Cassie.
deprimentes disse: Mas eu curto, e tu é uma, deixa que eu amo sozinha. Tchau

Mas gente…

deprimentes disse: deixa eu ser a amante então, bom que não faço nada

Eu não curto mulheres, Letícia @_@